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A Urucubaca das Ciganas: Parangaricotirimirruaro ou Ferreichenbressane

Quinta-feira passada (16) eu gastei a minha tarde livre de um jeito muito prazeroso (para mim). Fui assistir a alguns filmes no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB): O guru e os guris, de Jairo Ferreira, montagem de Inácio Araújo e fotografia de Carlos Reichenbach; Filme Demência, de Carlos Reichenbach, roteiro dele com o Inácio Araújo; e Tabu, do Júlio Bressane – todos na seqüência.


Eu sei que não é bem visto dizer isso, mas não gosto de cinema brasileiro como regra. Gosto como exceção: Limite, do Mário Peixoto; e, principalmente, essa geração de diretores citada acima (mais Rogério Sganzerla, Ivan Cardoso, etc.). Mas eu não vou me propor tentar descrever a experiência que foi ter assistido a esses filmes maravilhosos de uma vez (“É poema o que não se pode resumir. Não se resume uma melodia”, já disse o meu xará Paul Valéry), em uma tarde em que comecei folheando o maravilhoso livro Cinema de Invenção, do Jairo Ferreira. Na verdade vou contar outra coisa:


Eu fui ao CCBB a pé – como sempre faço – e passei em muitos dos lugares onde o Filme Demência (Filme De cinêma) foi filmado. Quando estava passando sobre o Viaduto do Chá (na ida), duas ciganas me agarraram e queriam ler a minha mão de qualquer jeito – como acontece com o Fausto do filme. Uma fazia carinho no meu braço esquerdo, enquanto a outra segurava a minha mão direita com bastante força. Eu tive que se brusco para “escapar”, e as duas me rogaram pragas.


Enquanto eu voltava para casa – principalmente entre a Praça da República e a Rua Maria Antônia – comecei a passar muito mal, achei até que fosse desmaiar. Depois que cheguei em casa, comecei a sentir uma dor muito forte no antebraço esquerdo – justo no local das “carícias”. Foi a Thais Vilanova quem juntou os fatos – como piada – pois eu nem tinha pensado nas coincidências. Claro que tudo tem outra explicação: quase não comi, assisti três filmes super intensos (em todos sentidos, até no humor. Fiquei até com dor no diafragma de tanto rir, principalmente durante algumas passagens do Filme Demência), e andei bastante no meio da multidão e embaixo de um sol infernal – acabei passando mal; e dores no braço eu sempre sinto, pois costumo tocar e raramente alongo as mãos e braços.


Mas que em um país que até o presidente acredita em urucubaca é mais charmoso acreditar em bruxaria, isso é.



(CONTINUA ABAIXO)



Escrito por paulo fernando às 20h41
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“Maldição! Minha tropa se dispersa!”

 

(Mefistófeles via Goethe via Haroldo de Campos, ou E. V. Strohein – não o ator e diretor, mas o conferencista da madrugada, após os burlescos incidentes no Filme Demência. Verso transcrito de livro que estava sendo lido por um dos personagens nesta passagem)


“Teu coração tem fiador honesto,

O meu vive de duplicatas

        Levadas

        A protesto.”

 

(Jules Laforgue via Augusto de Campos citado no Tabu, mantendo o blog ainda no clima do Pierrô, muito propício em época de Carnaval – Nota- Em breve falarei sobre o Carnaval de Montresor e Fortunato)


e

esta

a

cate

goria

oficial

do

vate

a

quem

como é justo

se esbate

– assim que se mate –

o

augusto

busto

 

(Trecho final do Bestiário, de Augusto de Campos, cantado – arranjo Bossa Nova – por Caetano Veloso no Tabu)

 

P.S. – Com exceções (como Cláudio Daniel, que vai aparecer daqui a pouco – às 22h – no programa do Ronnie Von, por exemplo), a esmagadora maioria dos poetas que foram influenciados pelo trio Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari tendem ao medíocre e ridículo – pura diluição simplificadora. Agora já os cineastas que foram educados (a maioria orientados diretamente) por eles, realizaram algumas das maiores obras da História do Cinema Mundial. Por quê? Sei lá.

Escrito por paulo fernando às 20h40
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