tacet


Quarteto para o Fim dos Tempos

QuartaD é formado pelo pianista Paulo Braga, o clarinetista Luis Afonso Montanha, o violinista Luiz Amato e o violoncelista Raïff Dantas Barreto – todos competentes na interpretação do repertório contemporâneo. Eles tocarão uma obra que, além de ser o cavalo de batalha do grupo, é uma das mais importantes do séc. XX – compacta visão do mundo musical de Olivier Messiaen.

 

Domingo, dia 19, às 11h, no Sesc Belenzinho.

Escrito por paulo fernando às 21h32
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EXPOSIÇÃO FRANZ WEISSMANN

            apresentar esta exposição weissmann

            não é apresentar a escultura weissmann

                                   o escultor weissmann

            as esculturas desta exposição

            são uma exposição no edifício de uma escultura cuja função

                                               fora sempre fazer da pedra cristal

                                   no método de um escultor cujo gosto

                                               foi sempre o perfil claro e solar

 

 

 

e eis que um dia weissmann que viera à europa como turista de pevsner gabo maxbill escola de ulm e de outras cidades de claro urbanismo e que fora ao japão como turista de suas leves arquiteturas de gaiola

eis que weissmann passou pela índia e por trópicos mais estentóricos do que os de seu planalto brasileiro e nos quais as coisas se multiplicam em milhares de mais coisas e se esparramam por excessos repetidos de si mesmas

eis que o teatro de tanto demais de coisas e de matéria túrgida parece ter levado weissmann a duvidar se a realidade pode verdadeiramente vir a ser já não digo cristalizada mas simplesmente domada e a duvidar se a atitude do homem diante da realidade não estará melhor em aprofundar a desorganização nativa dela do que impor-lhe qualquer organização

e eis que weissmann agora trabalhando com gesso e estopa como vemos nestas primeiras amostras que nos expõe nesta sala de madrid mas já não mais  para refinar o grão grosso que têm o gesso e a estopa em seu pobre estado industrial mas sim destrabalhando-os  para devolvê-los ao estado de fibra desgrenhada e de calcário bruto que tiveram em seu dia original

e eis weissmann agora destrabalhando as placas metálicas de perfil e superfície simples que saem dos laminadores só que já não mais para equilibrá-las nas colunas aéreas de antes mas para massacrá-las e amarrotá-las como querendo reensinar-lhes o rosto áspero e torturado de seu estado mais antigo de minério e ferro-velho

e eis que nesta exposição vemos pela primeira vez o construtivista weissmann transformado neste destrutivista weisssmann que não só martiriza a matéria mas tenta estraçalhá-la e destruí-la submetendo-a à explosão dessa fúria em que ele habita ou que nele habita nestes dias e que nada tem a ver com as explosões dos fogos-de-são-joão das mil famílias de informalistas de hoje-em-dia que vivem de copiar texturas convencionalmente explodidas tal como as famílias de academicistas de toda a vida viviam de copiar texturas convencionalmente domesticadas

e eis porque agora aqui dentro da sala desta exposição estamos como que no mesmo  centro da explosão weisssmann e cercados por todos os lados pelos destroços que ela lançou com tanta violência hoje contra estas paredes espanholas e eis weissmann

(CONTINUA ABAIXO)



Escrito por paulo fernando às 18h56
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            quem sabe de weissmann

            quem sabe que trabalhar ou destrabalhar

            é para weissmann chegar ao fim do carretel

            e quem sabe

            que foi desenrolando um fio de trabalho paciente

            que ele chegara ao diamante weissmann de antes

            mais

            quem sabe

            e por isso antecipa

            que antes mesmo de que pouse de todo

            o pó desta explosão

            estará weissmann

            com toda essa caliça e essa sucata

            de volta às construções de razão como as de antes

            das que irradiam em torno

            o espaço de um mundo de luz limpa e sadia

            portanto

            justo

 

(“prosa porosa” – “ventilated prose” – de João Cabral de Melo Neto)

 

(L(v)er a minha Homenagem a Franz Weissmann, além do texto sobre Weissmann de José Aloise Bahia)

Escrito por paulo fernando às 18h54
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