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Tânia Lanfer

A jovem pianista tocará recital desafiador com obras de três dos maiores compositores do séc. XX – Regard du Père, de Olivier Messiaen; Brin, de Luciano Berio; e as brevíssimas 6 Pequenas Peças op. 18, de Arnold Schoenberg – seguidas de peças de jovens brasileiros.

 

Amanhã (domingo, dia 11), no Teatro do Sesi, às 12h, de graça.

Escrito por paulo fernando às 23h39
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O que Eddie Vedder (não) tem que Mike Patton não (tem) (ou: a dialética invenção X diluição)

Não fui ao Claro que é Rock. Indignação contra ingressos a preços astronômicos (e com tanta coisa imperdível de graça ou quase). Indignação contra a freqüência frenética da publicidade de celulares – se você tem o novo celular você é legal, tem sex apeal, tem sexo, e, se não obedece ao estilo de vida pregado pelos comerciais de celulares, você é que é o nerd (e isto é colocado explicitamente). Se você vai ao show, paga uma nota para os empresários yuppies e patrocina as ambições celularescas, e, se não vai ver as últimas tendências ditadas pelos “costureiros” (como dizem os antigos) do momento da Indústria Cultural, você tá por fora – e Theodor Adorno grita de seu túmulo: Eu avisei!

O Otacílio Lopes (um dos mais autênticos outsiders da I. C. – ou seu maior, por mais excêntrico, cliente?) foi e contou várias: Nine Inch Nails foi demais (nas fotos que vi, acho que aquele não era o Trent Reznor), Flaming Lips idem, no Iggy Pop um amigo dele subiu no palco, beijou o jovelho na boca e arrancou um chumaço de cabelo – o Otacílio ficou com um fio.

Mas no fim me arrependo de uma coisa. Com o cancelamento do Suicidal Tendencies – que vi no primeiro (?) Monsters of Rock (1994?) – veio o Fantômas. O Otacílio disse que o efeito da banda (?) sobre ele foi tão violento, no bom sentido (?), que ele até vomitou no banheiro químico (talvez outros fatores determinantes). Os poucos pequenos trechos do show a que consegui ter acesso foram demais. Tudo o que já escutei da banda tem algo como uma banda de heavy metal que mistura King Crimson, Univers Zero, Can, Jaap Blonk, Demetrio Stratos, muitos filmes de terror e uma pitada de Zappa, entre outras coisas, mas, acima de tudo, algo muito muito Mike Patton, além de humor (negro). Humor já é uma coisa difícil (ao contrário do que pensam os medíocres que acham que é legal fazer piadinhas e acreditam que fizeram obras legais), na música é mais. O grande baterista Dave Lombardo não pôde vir, e no seu lugar veio um dos maiores – se não o maior – bateristas de todos os tempos: Terry Bozzio, o batera definitivo das formações que já tocaram com Frank Zappa. Pérolas para adolescentes que foram ver Good Charlotte e que são informadas musicalmente por porc... quer dizer, VJ’s da MTV que não fazem idéia de quem seja Bozzio (para ficar só na música pop, que é a profissão deles conhecer). Gostaria muito de ter ido, nem que fosse apenas o baterista sozinho. Uma vez (1998), eu fui ao programa insuportável do (agüentando o idem) Serginho Groisman só para ver o Mike Patton cantando – e valeu a pena, acredite.

Agora só uma coisa: por que o show do Pearl Jam chamou muito mais atenção do que o do Fantômas? Não sei se vocês lembram, mas Mike Patton era bem mais pop star do que o Eddie Vedder, na mesma época. E por que as coisas se inverteram? Seria porque Patton resolveu fazer coisas cada vez mais relevantes, sofisticadas e inventivas? (Mesmo no Faith no More, que no começo já era bem legal, mas que evoluiu constantemente) Ou também porque Pearl Jam continua na carona do seu sucesso inicial, em constante autodiluição, acomodados ao seu passado?

Talvez eu esteja vendo pêlo em ovo, mas eu acho que aí tem muita coisa emblemática da vergonhosa situação atual da cultura pop.

Como dizem que o próprio Patton disse (em português) no show:

– Claro que é merda.

Escrito por paulo fernando às 12h59
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