Sganzerla e Brossa
O Signo do Caos
Em época da mediocridade chamada de “Cinema da Retomada”, nada mais saudável do que assistir ao novo filme de Rogério Sganzerla.
“(Sganzerla) Tem uma obra cinematográfica criadora, força viva e ignota, que o desloca do dédalo de arroios secos do cinema contemporâneo atual” (Júlio Bressane).
Acredito que Sganzerla é um dos maiores criadores do século (não só do cinema, não só do Brasil – aliás, uma exceção de ambos –: acho O Bandido da Luz Vermelha melhor do que o Acossado, de Jean-Luc Godard). Assistir ao seu último filme em cartaz é fundamental para entender do que é capaz a montagem, não apenas no sentido de imagens, mas a montagem sonora aqui é algo a ser estudada por qualquer um que pensa em realizar qualquer tipo de linguagem audiovisual.
A impossibilidade do filme filmado por Orson Welles no Brasil (It’s All True – É Tudo Verdade) graças à boçalidade (caricata e, talvez por isso mesmo, realista). A impossibilidade do cinema. A impossibilidade da arte.
"Com excelente montagem cenas se sobrepõem em repetições crescentes e afirmações indignadas contra a mediocridade estatal que boicotou e perseguiu Welles em sua odisséia mitológica de tentar mostrar um Brasil de verdade sem o verniz fascista do Estado Novo. Atualmente esse verniz ainda persiste como padrão médio no cinema brasileiro e a mediocridade estatal está ainda mais alastrada dentro das universidades, das curadorias de festivais de cinema, nas redações de jornais como uma parede invisível e implacável com toda e qualquer forma de inovação estética em todas as formas de criação artística. A indignação de Sganzerla é atual e pertinente e está impressa nas poderosas imagens desse filme que é um manifesto. O SIGNO DO CAOS é um filme obrigatório."
(escrito por Marcelo Carrard, no Mondo Paura)
Joan Brossa
Está imperdível a exposição de poesias visuais do grande poeta catalão: Joan Brossa, desde Barcelona ao Novo Mundo, no MariAntonia. Fui hoje pela segunda vez.
Entreacte
(Homenatge a Pompeu Fabra)
Els mots corren a canviar-se
de vestit. Baixen els telons, i les bambolines
vénen de nou damunt els bastidors.
Els subjectes, els verbs i els adverbis,
ja vestits d’altra manera, tornen
a escena. Resta un grup
d’adjectius mirant pel
forat del teló.
El poema següent ara començará.
(Joan Brossa) paulo fernando vidal de castro paulo fernando de castro
Escrito por paulo fernando às 22h45
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