Só
Augusto de Campos
Desde criança eu não sentia
Como os demais e nunca via
O que os outros viam. Sempre quis
Outro querer, de outro cariz.
A minha dor tinha outros veios,
Minha alegria outros anseios,
Minha paixão, diversa lei.
Tudo o que amei, só eu amei.
Assim. No berço deste meu
Viver tormentoso, nasceu
De abismos do bem e do mal
O mistério que é o meu sinal.
Da correnteza ou de uma fonte,
Do penhasco rubro do monte,
Do sol que me deu o tesouro
De luz do seu outono de ouro,
Do raio que cortou os ares
Atropelando os meus cismares,
Da tormenta e seu escarcéu
E dessa nuvem em que eu vejo
(Se tudo o mais é azul no céu)
O Demônio do meu Desejo.
Escrito por paulo fernando às 17h37
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