Na sexta-feira da semana passada (não nesta, em que – poucas horas atrás – fui escutar o Heinz Holliger. Foi demais, apesar dos conflitos com a orquestra na obra do Zimmermann. Ele não tocou nem o Milhaud e nem o Villa-Lobos – por problemas de direitos autorais –, apenas a “poesia sem placebo/ clareza de cristal/ dureza de rochedo”. Mas eu ainda não tenho a distância para falar do concerto, talvez depois. Bom, voltando ao que eu estava dizendo:) fomos assistir ao Marsicano Sitar Hendrix. Neste novo projeto, Alberto Marsicano toca apenas músicas de Jimi Hendrix. A mesma formação de power trio do Bloomsday: sitar, baixo elétrico e bateria, com direito à amplificação e pedais de efeitos na cítara.
O resultado é um Hendrix orientalizado – “West shall shake the East awake” – que passa pela improvisação do Free Jazz e pelos ritmos brasileiros do berimbau e da capoeira. Antopofagia oswaldiana, tradução haroldiana, make it new poundiano, salada marsicanesca, ou algo que o valha.
*fotografia de Tomás Senna (detalhe curioso: o Marsicano é padrinho de casamento dos pais do Tomás e do Thiago, figuras as vezes citas nesta pocilga – aposto que essa você não sabia, Otacílio)
pré-haicai (para marsicano)
num relâmpago
o tigre
atrás da
corça
(isso
disse
sousândrade)
ou:
tiro nas
lebres de
vidro
do
invisível
(cabral:
falou)
assim a
multi-
mínima
arte do
hai-
cai
– bashô buson issa
(& outros ou-
tros) a
(vôoflor)
borboleta
e o ramo
onde ela
pousa
(Haroldo de Campos)