Sequenzas de Luciano Berio
Está em cartaz em todas unidades do Sesc a grande, plural, eclética e interessante Mostra Sesc de Artes – Mediterrâneo, que tem como foco a(s) cultura(s) da região a que se refere o título.
Uma das atrações que vale a pena conferir são as Sequenzas de Luciano Berio, que serão apresentadas nos dois próximos domingos por músicos brasileiros.
Berio (1925-2003) foi um compositor fundamental da segunda metade do séc. XX.
Sequenzas são pequenas (no tempo) peças para instrumentos solos onde um virtuosismo extremo expõe idéias musicais. Verdadeiro work in progress (Joyce foi uma das maiores influências do compositor) – a primeira peça (flauta) foi composta em 1958 e a última (acordeão) em 1995 –, constituem a espinha dorsal da obra do italiano.
Neste domingo, as Sequenzas I (flauta), III (a mais famosa, composta para Cathy Berberian, será interpretada pela soprano Andréa Kaiser), IXb (sax) e XI (violão).
Luciano Berio foi muito influenciado pelos escritores italianos de sua geração. Realizou muitas obras em parceria com Edoardo Sanguineti, Umberto Eco e Italo Calvino.
Sanguineti escreveu em 1994 e 1995 versos que podem ser recitados antes de cada Sequenza. Infelizmente – apesar de já ter escutado várias Sequenzas ao vivo –, nunca vi isto acontecer. Coloco abaixo os pequenos poemas correspondentes às peças que serão executadas no primeiro recital (Sesc Belenzinho, domingo, dia 21, às 11h):
“Incipit sequentia sequentiarum, quae est musica musicarum secundum lucianum.”
(Sanguineti)
Sequenza I para flauta (1958)
e qui incomincia il tuo desiderio, que è il delirio del mio desiderio:
la musica è il desiderio dei desideri:
Sequenza III para voz feminina (1965)
voglio le tue parole: e voglio distruggerle, in fretta, le tue parole:
e voglio distruggermi, me finalmente, veramente:
Poema modular de Markus Kutter – o texto da Sequenza II:
Give me a few words for a woman
to sing a truth allowing us
to build a house without worrying before night comes
Sequenza IX b para saxofone alto (1981)
mia forma fragile, sei instabile e immobile:
sei tu, questo mio infranto frattale che ritorna e che trema:
Sequenza XI para violão (1987-1988)
ti ritrovo, mia puerile pseudodanza innaturale
ti chiudo in un cerchio: e ti interrompo, ti rompo
Escrito por paulo fernando às 18h14
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