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Jesús-Rafael Soto

Vai só até quinta (7) a exposição das obras de Soto no Instituto Tomie Ohtake. A imprensa andou dizendo que a obra do venezuelano é pioneira na arte cinética. Não exatamente.

As impressionantes obras de Soto me pareceram um cruzamento da Op Art com o trabalho de artes plásticas do designer Bruno Munari – meu ídolo, herói, professor, mestre, o que quero ser quando eu crescer (se é que um dia eu vou crescer) – uma das mentes mais lúcidas do século XX. O italiano, sim, foi pioneiro na arte cinética (e não só ele) muito antes de Soto.

Eu não sou religioso – Deus me livre! –, mas imagino que o sentimento religioso deva ser algo parecido com a contemplação da Esfera Theospácio, um dos destaques da exposição. Se algum dia eu escutar o Requiem de György Ligeti diante desta obra, com certeza eu entrarei em transe místico.

Mas eu acho que o mais importante a ser dito é o seguinte: Vá ver as obras de Soto. São todas imperdíveis. E é de graça.

Vá nem que seja para descobrir com quantas varetas paralelas se faz uma esfera.



Escrito por paulo fernando às 09h25
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Trio de Jerusalém

A Sociedade para Apresentações Musicais apresentava, no início do séc. XX, concertos que negavam a arte como fenômeno social – sem divulgação, sem imprensa e sem aplausos obrigatórios.

Eduard Steuermann, compositor, foi um dos principais pianistas desta Sociedade. Ele arranjou varias obras importantes de Schoenberg para pequenas formações, pois eles não dispunham de orquestra. O seu arranjo da densa e polifônica Noite Transfigurada, de Schoenberg, para piano, violino e violoncelo será executado pelo Trio de Israel amanhã, às 21:00, no Espaço Cultural BankBoston.

O grupo também apresentará os, não menos interessantes, Trio n° 32 em lá maior Hob:XV, de Haydn, e Trio em lá menor, de Ravel.

No fim de outubro do ano passado, eu escrevi a seguinte dica para concerto:

 

Schoenberg/Steuermann e Brahms

 

Schoenberg por duo de piano e coro da Osesp. O compositor – até ontem maldito – anda sendo executado nas grandes salas paulistas. Aproveite, antes que a onda passe, e escute o arranjo (sem a excentricidade original, que inclui até teatro musical com cenário de Kandinsky) da op. 18. PFC

 

Parece que a onda veio para ficar. Só para citar outro exemplo, recentemente o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo tocou a Ode to Napoleon Bonaparte, com Paulo Braga no piano e Arrigo Barnabé recitando a melodia-falada (traduzida para o português). Será que é motivo para comemorar – finalmente Schoenberg – ou não – pois só agora estamos chegando no começo do século passado (e numa de suas unanimidades)?

 

De todo modo eu não vou, pois vou escutar Villa e Revueltas (ver mensagem do dia 24/06).

 


Comodoro

 

Na quarta-feira que vem haverá mais uma Sessão Dupla do Comodoro. O tema será o erotismo, com apresentação dos filmes a Alcova, de Joe D’Amato, e Paprika, de Tinto Brass. A já nomeada “Sessão Viagra”, “uma noite sem sutiã, sem calcinha e sem vergonha”, Sessão “mela cueca” (ao pé da letra).

Se você não sabe o que são as Sessões Duplas (e grátis!) do Comodoro, descubra imediatamente: http://redutodocomodoro.zip.net/ e http://ww.olhoslivres.com/reduto2005.htm

 

Outro dia eu estava comentando com o Otacílio – se você também não sabe quem é o Otacílio, vai descobrir em breve, pois colocarei aqui no blog uma belíssima história em quadrinhos nossa, com desenhos dele. As coisas mais bem acabadas que já saíram do seu traço doentio (parece até trabalho de um sujeito são e “profissional”). Quem não conhece vai gostar, e quem já conhece vai se surpreender. Desculpe a interrupção – comentava com o Otacílio que Monella, filme de Brass (diretor do famoso Caligola), é talvez o filme mais erótico que eu já vi. Mais safado do que filmes de sexo explícito. Imagino que Paprika deva ser mais erótico ainda, e, pelas fotos que tem no Reduto do Comodoro, parece muito interessante visualmente, com uma bela fotografia e jogos de espelhos muito bonitos (isso sem falar da atriz). 

 

Quarta que vem, dia 6, às 21:30, no CineSesc, na Augusta. As senhas são distribuídas à partir das 21:00 – mas é melhor chegar um pouco antes.

 



Escrito por paulo fernando às 05h29
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Elementos do Estilo Tipográfico - Parte 1

Recentemente, foi lançada entre nós uma tradução do livro Elementos do Estilo Tipográfico, de Robert Bringhurst, considerado a Bíblia da tipografia.

 A editora Cosac Naify – responsável pela edição – promoveu um concurso para escolher o cartaz de lançamento do livro. Um de meus grandes ídolos e mentores, Alexandre Wollner, fazia parte do júri.

Wollner montou o primeiro escritório de design no Brasil e é um dos pouquíssimos designers gráficos de verdade que já tivemos (e ainda temos). Talvez você ache que não, mas todo mundo conhece o seu trabalho. Pense –só para dar como exemplo uma de suas áreas de atuação – pense nos seguintes logotipos: Klabin, Santista, Philco, Itaú, Eucatex, Hering, Metal Leve, Atlas, Coqueiro, Ultragáz, etc. Ele era o responsável pelo incrível visual da revista de vanguarda Invenção.

Voltando ao concurso. Eu participei e não ganhei nem menção honrosa. Aqui está o meu cartaz:



Escrito por paulo fernando às 04h07
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Escrito por paulo fernando às 04h01
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Elementos do Estilo Tipográfico - Parte 2

Veja o cartaz da Thais Vilanova, que também participou e não ganhou: clique aqui

 

Apesar de eu não acreditar na abstração Concurso, este foi muito bom. Tanto pela qualidade do júri, quanto dos cartazes que receberam os prêmios (de profissional e estudante) e as menções honrosas. Coisa rara de se ver. Perder para coisas que tem qualidade é perder com muita satisfação. Ironicamente, o que venceu mesmo (categoria profissional) é o mais fraco de todos. Confira: http://www.cosacnaify.com.br/concurso.asp

 

Falando no Wollner e na Cosac Naify, ele já fez belas programações visuais para livros da editora. E o livro sobre a sua trajetória é obrigatório (eu ainda não tenho – $): http://www.cosacnaify.com.br/loja/detalhes.asp?codigo_produto=377&language=pt&showPromo=False

 

E falando em não ganhar concursos, eu já estou acumulando uma pequena experiência em não ganhar. Normalmente eles mandam um simpático e-mail anti-suicídio. Ontem recebi esta pérola:

Caro Paulo Fernando Vidal de Castro,

Agradecemos a inscrição da obra (...) no (...) (...) (...)
(...) (...) (...) - (...).

Sua obra estava entre tantas excelentes e originais inscrições. Entretanto,
lamentamos informar que ela não foi selecionada para o festival. Por favor,
não acredite que isso reflita a qualidade de seu trabalho.

Como recebemos mais de 500 inscrições para esta edição, e o tempo total de
exibições é muito limitado, a decisão não foi fácil.

Seu interesse no (...) (...) (...) (...) (...) é muito
importante para nós, e esperamos que você mantenha o contato.

Desejamos muita sorte e sucesso no desenvolvimento de seus projetos, e
ficaremos contentes em receber a inscrição de uma nova obra no futuro.

Atenciosamente,

(...) (...).



Escrito por paulo fernando às 03h59
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