Osesp nas Américas
Concerto da Osesp apresenta o modernismo das Américas: El Salón México, do norte-americano Copland – inventor da sonoridade das trilhas sonoras dos filmes de faroeste; Choros n° 6, da fase inventiva do brasileiro Villa-Lobos; Pampeana n° 3, do exuberante porteño Ginastera; e La Noche de los Mayas, do interessante mexicano Revueltas.
Apenas obras raras de se escutar por aqui. Inclusive a do Villa-Lobos, cujo período de vanguarda é sempre colocado de lado, dando-se ênfase apenas nas Bachianas Brasileiras e similares. É uma pena, pois “o Villa da Música Nova e não do Estado Novo” (como disse Augusto de Campos) era muito mais rico. Não por acaso, nesta época ele era amigo de Edgar Varèse e foi considerado por Messiaen um grande orquestrador.
quinta-feira, dia 30, e sexta-feira, dia 1, ambos às 21:00, na Sala São Paulo
Escrito por paulo fernando às 01h08
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Assassinos do Jaguadarte - 1ª parte
No dia 16, quinta-feira da semana passada, eu apresentei um vídeo meu no tradicional Bloomsday de São Paulo.
Foi uma noite de altos e baixos, e comentarei a seguir o que de ruim aconteceu relacionado com a minha apresentação.
O programa era este:
continua abaixo...
Escrito por paulo fernando às 08h26
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Programa - Parte I
Às 19h:
Lançamento do livro Ulisses, de James Joyce, em tradução de Bernardina Pinheiro (Editora Objetiva).
Às 19h30:
Abertura
1. Música irlandesa tradicional, pelo Grupo Irish Dreams.
2. Três poemas de três poetas irlandeses contemporâneos (trad. Marcelo Tápia). Por John Milton e pelo tradutor.
Parte I: James Joyce e sua obra
1. Dubliners (Dublinenses): breve referência ao conto “The dead” (“Os mortos”), seguida de leitura do poema “She wheeps over Rahoon” (Ela chora em Rahoon”), de Pomes Penyeach. Por Marcelo Tápia. (Leitura do original: John Milton.)
2. A portrait of the artist as a young man (Retrato do artista quando jovem). Leitura de
fragmento do romance, por Carlos Rahal.
3. Ensaio “A Irlanda no tribunal”, de Joyce, em tradução de Dirce Waltrick do Amarante. Leitura e apresentação por Aurora Bernardini.
4. Ulysses (Ulisses):
Tema geral: “Gado do Sol” (capítulo relativo ao episódio Gado do Sol – ou Vacas de Hélio – da Odisséia de Homero)
• Leitura do episódio homérico em três segmentos, com traduções inéditas de Jaa Torrano, André Malta e Breno Sebastiani, pelos tradutores.
• Apresentação do capítulo de Ulysses por Caetano Waldrigues Galindo, autor de tradução inédita do romance. Comentário sobre o processo de tradução do episódio, pelo tradutor.
• Leitura dramática de montagem de fragmentos do capítulo, denominada “Assassinos do sol”, em tradução de Caetano W. Galindo, por Alessandra Velho e Antonio Salvador.
5. Finnegans wake:
1. Evocação de Lewis Carrol
• Leitura do poema Jabberwocky (Jaguadarte), de Lewis Carroll, em tradução de
Augusto de Campos, por Eric Rieser.
• Exibição do vídeo “Jaguadarte” (2005), de Paulo Fernando, com Paulo Fernando e
Thais Vilanova.
2. Composição musical sobre fragmentos de Finnegans wake (em tradução de Haroldo de Campos) por Livio Tragtemberg, executada pelo compositor.
Escrito por paulo fernando às 08h14
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Programa - Parte II
Parte II: Homenagem a Haroldo de Campos
• Leitura de fragmento de Galáxias, por Arnaldo Antunes.
• Leitura de fragmentos de Galáxias em espanhol (por Horácio Costa), italiano (por Aurora Bernardini) e em árabe (por Michel Sleiman).
• Duas canções inéditas de Edvaldo Santana, apresentadas pelo compositor, criadas a partir de um fragmento de Finnegans wake, de Joyce, e de um poema de Catulo, ambos em tradução de Haroldo de Campos.
• Apresentação de “Crisantempo”, de Cid Campos, pelo compositor.
• Evocação de Jack Kerouac: apresentação de fragmento final de On the road, por Ivan de Campos e Cid Campos.
Encerramento:
Música para cítara, por Alberto Marsicano.
Escrito por paulo fernando às 08h10
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Eu estou na Parte I: James Joyce e sua obra/ 5. Finnegans wake/ – Evocação de Lewis Carroll/ . Exibição do meu vídeo.
Escrito por paulo fernando às 07h41
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Assassinos do Jaguadarte - 2ª parte
Combinei com o Marcelo Tápia de chegar a partir das 16:00 para testar a projeção, o som, e tudo mais. Fui o primeiro a chegar (15:58). As outras pessoas foram chegando a partir das 17:00. Pouco a pouco, formou-se um clima de bagunça, trapalhadas, estapafúrdias, e um ou outro nervosinho com os nervos mais atiçados.
Depois de certo tempo, consegui descobrir que o DVD que eu havia gravado rodava no laptop usado no evento (minha maior preocupação). Sem problemas. Já a projeção, apenas às 19:30 eu descobri que funcionava (horário programado para o início do evento), mas o som não funcionava por nada. Instantaneamente antes do início de fato (19:45), a transmissão de som laptop-caixas de som funcionou – não com o meu vídeo, mas um fragmento do 4° movimento Presto da nona sinfonia de Beethoven (e eu pensava que os açougueiros só pegavam o coral “Ode to Joy”).
Quando chegou na parte intitulada Finnegans Wake, John Milton fez uma belíssima leitura do Jabberwocky. Depois, Eric Rieser fez uma exagerada (no mau sentido) “interpretação” da tradução do Augusto de Campos – Jaguadarte – numa forçação de pathos (barra) jamais arriscada nem nos teatrinhos de escola. Após seria o meu vídeo, fechando o bloco Evocação de Lewis Carroll, e a apresentação do Lívio Tragtenberg, fechando toda a Parte I.
Não foi o que aconteceu.
Infelizmente, o Tragtenberg não compareceu. Infelizmente por três motivos:
1- Gosto do trabalho dele, e a composição sobre fragmentos do FW deve ser interessante.
2- Gostei da idéia do bloco, e adoraria apresentar o vídeo entre a leitura do John Milton e a música do Tragtenberg.
3- Marcelo Tápia, que estava atrapalhado na sua tarefa hercúlea de lidar com mil problemas simultâneos, me esqueceu (talvez confundido pela ausência do Tragtenberg) e anunciou o Horácio Costa. O atenciosíssimo filho do Marcelo, Daniel Tápia, me avisou e foi imediatamente avisar o pai. Horácio, percebendo, deu trilos de estrelismo, sapateando e dizendo arrogantemente no microfone que era a sua vez. Começou a ler. Interrompeu a leitura duas vezes com outros dois chiliques: um para o técnico que estava concertando o microfone, outro reclamando da luz.
Existe aquela supracitada idéia de Gide sobre a relação da índole com a literatura. Outra idéia – de muitos, inclusive eu – é a de que a verdadeira poesia é a maior inimiga e subversora da literatura. Horácio Costa é um bom poeta – coisa rara. Temos então um paradoxo de sofismas: Horácio Costa = maus sentimentos = boa literatura = má poesia. Mas, Horácio Costa = boa poesia. Deixo esta de lição de casa para vocês.
Marcelo resolveu completar o bloco Galáxias.
Escrito por paulo fernando às 07h19
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Assassinos do Jaguadarte - última parte
E então o Bloomsday, depois de Eva e Adão, do desvio da praia à dobra da baía, devolve-nos por um commodius vicus de recirculação devolta ao Jaguadarte – o trocadilho Eva e Adão (e sua pronúncia) não foi proposital nem da parte de Joyce, nem do Augusto e nem minha, mas que ficou engraçado no contexto, ficou.
Na melhor tradição do nonsense de Lewis Carroll, sem o meu breve pronunciamento – em forma de mesósticos (breve aqui no blog) de menos de três minutos – e descontextualizado, foi projetado o meu vídeo. Assim que começou, John Milton – desavisado – começou a anunciar algo pelo microfone. O vídeo foi pausado. Prosseguiu depois de onde estava.
O som (elemento fundamental para a fruição do vídeo) estava baixíssimo. Nem eu, que desenvolvi cada mínimo som, escutava tudo. No momento em que o pai fala – “Foge do Jaguadarte, o que não morre!...” –, o técnico da mesa de som aumentou o volume o suficiente para se entender (?) as palavras em um volume baixo, mesmo sendo gritos. Na primeira vez em que se ouve o som da espada, um cara ao meu lado tapou os ouvidos. Apesar de do som estar ainda super baixo, eu gostei, pois a intenção era a espada ferir tímpanos e retinas. Mas o técnico – para não trair a profissão, e ser expulso do sindicato – imediatamente pôs o volume no mínimo, no limite do audível. Uma pena, não deu para ouvir a música – tentativa de fusão entre procedimentos da música medieval inglesa, serialismo, e elementos estruturais do próprio poema.
Durante a aparição do Jaguadarte, o som deve ser infernal. Na seqüência das espadadas, existe um contraponto entre as imagens (positivo/negativo – espelhamentos – “Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!”), o ritmo dos choques visuais (frações de segundo de tela branca/tela preta intercaladas), o som estridente das espadadas e a massa sonora ruidosa do Jaguadarte em padrão binário – “One, two! One, two! And through, and through…”. Certa vez eu estava trabalhando sobre esta seqüência e a minha irmã veio reclamar nervosa, pois a barulheira invadia até o seu quarto. Já no Bloomsday, esta parte passou no volume indicado para música ambiente de sala de espera de dentista – até de psiquiatra.
Pois então eles mataram o Jaguadarte!
Mesmo assim, o vídeo conseguiu agradar e desagradar alguns. Uma das moças do Grupo Irish Dreams comentou revoltada durante toda a exibição, como se o vídeo fosse uma afronta à Humanidade – e eu uma espécie de Hitler audiovisual. Já Alberto Marsicano (http://www.marsicano.tk/) me parabenizou, disse ter gostado muito e me perguntou quem tinha feito o som. Respondi que eu faço tudo. Ele disse que adorou a concepção sonora. Pena que o técnico não teve a mesma sensibilidade.
Apesar do pesares, gostei de participar do Bloomsday, pois desde que eu o descobri participo como espectador. Só posso agradecer aos atenciosos Tápia (Marcelo e Daniel). Marsicano, na nossa despedida, falou da gente fazer alguma coisa juntos. Eu adoraria.
Entre neste endereço:http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=273, e veja as fotos do Bloomsday. Nem eu, nem a Thais Vilanova (minha parceira) aparecemos, mas minhas mãe e irmã, e uns amigos meus aparecem. Veja A Bela e a Fera: Alessandra Velho (a foto não faz justiça à sua beleza, malditos técnicos de novo) e Horácio Costa. Tem também um pequeno vídeo com um fragmento de um dos pontos máximos da noite (o ponto máximo?): John Milton lendo o monólogo final de Molly Bloom acompanhado por um power trio de sitar (Marsicano), baixo e bateria, tocando um fusion e fazendo uma ponte entre o monólogo sem pontuação e a música de John Coltrane. Depois, o trio mandou um rock instrumental, com o Marsicano tocando o sitar como se fosse uma guitarra elétrica – riffs pesados e tudo. Tudo plugado e em alto volume (que inveja).
Um homem me perguntou completamente indignado:
– Primeiro, um professor da USP fazendo um Rap – porquê esses caras pronunciam rápi, ao invés de rép, e jáss, ao invés de diéz (Jazz)? Algum tipo de ideologia idiomática? –, depois, uma Jam Sesion – pronuncia correta – com sítara?
Não resistindo e rindo da cara dele, respondi:
– Onde é que isso vai parar???!!!!
Irritado:
– Não sei onde, mas do jeito que está, parece que vai parar no Love Story. *Nota para aqueles não versados na suprema Arte da Putaria: Love Story é um puteiro agitado com muita música no centro de São Paulo.
Como diz a tradicional canção irlandesa:
Lots of fun at Love Story!
Escrito por paulo fernando às 06h56
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