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Happy End – Finitto

Meu novo endereço é aqui: http://somsemsom.blogspot.com/

 

fecho encerro reverbero aqui me fino aqui me zero não canto não conto não quero anoiteço desprimavero me libro enfim...

(início do formante final das galáxias, de Haroldo de Campos – blog que começa com galáxias, encerra com galáxias) Paulo Fernando Vidal de Castro

 

Neste blog estão uma porção de coisas que eu coloquei durante quase um ano – em média duas vezes por semana. Venha perder-se neste labirinto.

 

ps. para Otacílio- coloquei o desenho da aranha no blog novo.

Escrito por paulo fernando às 22h06
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Pulando o Carnaval com Jazz e Cinema Fantástico

Howard Levy

 

Considerado o maior instrumentista da gaita diatônica.

Além de tocar junto com a Filarmônica de Chicago, Levy costuma interpretar obras de Charlie Parker e John Coltrane, impossíveis na gaita, através de técnicas inventadas por ele (overblow e overdraw).

Tocará com o trio de jazz brasileiro liderado pelo guitarrista Lupa Santiago.

 

Quinta (2), sexta (3) e sábado (4), sempre às 21h, na Choperia do Sesc Pompéia.


Sessão Dupla do Comodoro

 

Ainda falando de Carlos Reichenbach. A próxima Sessão Dupla será imperdível – O Conto das Duas Irmãs (A Tale of Two Sisters – Janghwa, Hongryeon; de Ji Woon Kim), filme coreano de 2003, já considerado por muitos um dos grandes filmes de terror de todos os tempos; seguido por um filme surpresa. Segundo o Comodoro, “dois notáveis filmes do cinema fantástico contemporâneo”.

Se todo Carnaval tivesse dessas...

 

Quarta-feira, 1 de março, às 21h30, no CineSesc. Senhas GRATUÍTAS a partir das 21h na bilheteria.



Escrito por paulo fernando às 23h45
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A Urucubaca das Ciganas: Parangaricotirimirruaro ou Ferreichenbressane

Quinta-feira passada (16) eu gastei a minha tarde livre de um jeito muito prazeroso (para mim). Fui assistir a alguns filmes no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB): O guru e os guris, de Jairo Ferreira, montagem de Inácio Araújo e fotografia de Carlos Reichenbach; Filme Demência, de Carlos Reichenbach, roteiro dele com o Inácio Araújo; e Tabu, do Júlio Bressane – todos na seqüência.


Eu sei que não é bem visto dizer isso, mas não gosto de cinema brasileiro como regra. Gosto como exceção: Limite, do Mário Peixoto; e, principalmente, essa geração de diretores citada acima (mais Rogério Sganzerla, Ivan Cardoso, etc.). Mas eu não vou me propor tentar descrever a experiência que foi ter assistido a esses filmes maravilhosos de uma vez (“É poema o que não se pode resumir. Não se resume uma melodia”, já disse o meu xará Paul Valéry), em uma tarde em que comecei folheando o maravilhoso livro Cinema de Invenção, do Jairo Ferreira. Na verdade vou contar outra coisa:


Eu fui ao CCBB a pé – como sempre faço – e passei em muitos dos lugares onde o Filme Demência (Filme De cinêma) foi filmado. Quando estava passando sobre o Viaduto do Chá (na ida), duas ciganas me agarraram e queriam ler a minha mão de qualquer jeito – como acontece com o Fausto do filme. Uma fazia carinho no meu braço esquerdo, enquanto a outra segurava a minha mão direita com bastante força. Eu tive que se brusco para “escapar”, e as duas me rogaram pragas.


Enquanto eu voltava para casa – principalmente entre a Praça da República e a Rua Maria Antônia – comecei a passar muito mal, achei até que fosse desmaiar. Depois que cheguei em casa, comecei a sentir uma dor muito forte no antebraço esquerdo – justo no local das “carícias”. Foi a Thais Vilanova quem juntou os fatos – como piada – pois eu nem tinha pensado nas coincidências. Claro que tudo tem outra explicação: quase não comi, assisti três filmes super intensos (em todos sentidos, até no humor. Fiquei até com dor no diafragma de tanto rir, principalmente durante algumas passagens do Filme Demência), e andei bastante no meio da multidão e embaixo de um sol infernal – acabei passando mal; e dores no braço eu sempre sinto, pois costumo tocar e raramente alongo as mãos e braços.


Mas que em um país que até o presidente acredita em urucubaca é mais charmoso acreditar em bruxaria, isso é.



(CONTINUA ABAIXO)



Escrito por paulo fernando às 20h41
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“Maldição! Minha tropa se dispersa!”

 

(Mefistófeles via Goethe via Haroldo de Campos, ou E. V. Strohein – não o ator e diretor, mas o conferencista da madrugada, após os burlescos incidentes no Filme Demência. Verso transcrito de livro que estava sendo lido por um dos personagens nesta passagem)


“Teu coração tem fiador honesto,

O meu vive de duplicatas

        Levadas

        A protesto.”

 

(Jules Laforgue via Augusto de Campos citado no Tabu, mantendo o blog ainda no clima do Pierrô, muito propício em época de Carnaval – Nota- Em breve falarei sobre o Carnaval de Montresor e Fortunato)


e

esta

a

cate

goria

oficial

do

vate

a

quem

como é justo

se esbate

– assim que se mate –

o

augusto

busto

 

(Trecho final do Bestiário, de Augusto de Campos, cantado – arranjo Bossa Nova – por Caetano Veloso no Tabu)

 

P.S. – Com exceções (como Cláudio Daniel, que vai aparecer daqui a pouco – às 22h – no programa do Ronnie Von, por exemplo), a esmagadora maioria dos poetas que foram influenciados pelo trio Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari tendem ao medíocre e ridículo – pura diluição simplificadora. Agora já os cineastas que foram educados (a maioria orientados diretamente) por eles, realizaram algumas das maiores obras da História do Cinema Mundial. Por quê? Sei lá.

Escrito por paulo fernando às 20h40
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Quarteto para o Fim dos Tempos

QuartaD é formado pelo pianista Paulo Braga, o clarinetista Luis Afonso Montanha, o violinista Luiz Amato e o violoncelista Raïff Dantas Barreto – todos competentes na interpretação do repertório contemporâneo. Eles tocarão uma obra que, além de ser o cavalo de batalha do grupo, é uma das mais importantes do séc. XX – compacta visão do mundo musical de Olivier Messiaen.

 

Domingo, dia 19, às 11h, no Sesc Belenzinho.

Escrito por paulo fernando às 21h32
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EXPOSIÇÃO FRANZ WEISSMANN

            apresentar esta exposição weissmann

            não é apresentar a escultura weissmann

                                   o escultor weissmann

            as esculturas desta exposição

            são uma exposição no edifício de uma escultura cuja função

                                               fora sempre fazer da pedra cristal

                                   no método de um escultor cujo gosto

                                               foi sempre o perfil claro e solar

 

 

 

e eis que um dia weissmann que viera à europa como turista de pevsner gabo maxbill escola de ulm e de outras cidades de claro urbanismo e que fora ao japão como turista de suas leves arquiteturas de gaiola

eis que weissmann passou pela índia e por trópicos mais estentóricos do que os de seu planalto brasileiro e nos quais as coisas se multiplicam em milhares de mais coisas e se esparramam por excessos repetidos de si mesmas

eis que o teatro de tanto demais de coisas e de matéria túrgida parece ter levado weissmann a duvidar se a realidade pode verdadeiramente vir a ser já não digo cristalizada mas simplesmente domada e a duvidar se a atitude do homem diante da realidade não estará melhor em aprofundar a desorganização nativa dela do que impor-lhe qualquer organização

e eis que weissmann agora trabalhando com gesso e estopa como vemos nestas primeiras amostras que nos expõe nesta sala de madrid mas já não mais  para refinar o grão grosso que têm o gesso e a estopa em seu pobre estado industrial mas sim destrabalhando-os  para devolvê-los ao estado de fibra desgrenhada e de calcário bruto que tiveram em seu dia original

e eis weissmann agora destrabalhando as placas metálicas de perfil e superfície simples que saem dos laminadores só que já não mais para equilibrá-las nas colunas aéreas de antes mas para massacrá-las e amarrotá-las como querendo reensinar-lhes o rosto áspero e torturado de seu estado mais antigo de minério e ferro-velho

e eis que nesta exposição vemos pela primeira vez o construtivista weissmann transformado neste destrutivista weisssmann que não só martiriza a matéria mas tenta estraçalhá-la e destruí-la submetendo-a à explosão dessa fúria em que ele habita ou que nele habita nestes dias e que nada tem a ver com as explosões dos fogos-de-são-joão das mil famílias de informalistas de hoje-em-dia que vivem de copiar texturas convencionalmente explodidas tal como as famílias de academicistas de toda a vida viviam de copiar texturas convencionalmente domesticadas

e eis porque agora aqui dentro da sala desta exposição estamos como que no mesmo  centro da explosão weisssmann e cercados por todos os lados pelos destroços que ela lançou com tanta violência hoje contra estas paredes espanholas e eis weissmann

(CONTINUA ABAIXO)



Escrito por paulo fernando às 18h56
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            quem sabe de weissmann

            quem sabe que trabalhar ou destrabalhar

            é para weissmann chegar ao fim do carretel

            e quem sabe

            que foi desenrolando um fio de trabalho paciente

            que ele chegara ao diamante weissmann de antes

            mais

            quem sabe

            e por isso antecipa

            que antes mesmo de que pouse de todo

            o pó desta explosão

            estará weissmann

            com toda essa caliça e essa sucata

            de volta às construções de razão como as de antes

            das que irradiam em torno

            o espaço de um mundo de luz limpa e sadia

            portanto

            justo

 

(“prosa porosa” – “ventilated prose” – de João Cabral de Melo Neto)

 

(L(v)er a minha Homenagem a Franz Weissmann, além do texto sobre Weissmann de José Aloise Bahia)

Escrito por paulo fernando às 18h54
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Violão-Câmara-Trio

Henrique Pinto desenvolve há anos um consistente trabalho como professor de violão. Uma das conseqüências disto é o Violão-Câmara-Trio – competente grupo iniciado na década de 80, sempre composto pelo mestre e dois alunos, que atualmente são João Luiz Resende Lopes e Ricardo Marui.

 

Domingo, dia 12, às 11h30, no Centro Cultural São Paulo, de graça.

Escrito por paulo fernando às 12h43
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Maiakóv &ki Lemin

Me quer? Não me quer? As mãos torcidas

os dedos

                 despedaçados um a um extraio

assim se tira a sorte enquanto

                                                     no ar de maio

caem as pétalas das margaridas

Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e

que a prata dos anos tinja sem perdão

                                                                   penso

e espero que eu jamais alcance

a impudente idade do bom senso

 

(fragmento de poema do továrich Vladímir Maiakóvski traduzido por Augusto de Campos)

quando eu tiver setenta anos

então vai acabar essa adolescência

 

vou largar da vida louca

e terminar minha livre-docência

 

vou fazer o que meu pai quer

começar a vida com passo perfeito

 

vou fazer o que minha mãe deseja

aproveitar as oportunidades

de virar um pilar da sociedade

e terminar meu curso de direito

 

então ver tudo em sã consciência

quando acabar essa adolescência

 

(Poema de Paulo Leminski)

Escrito por paulo fernando às 12h55
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Fábio Zanon

O excelente violonista tocará os Prelúdios de Heitor Villa-Lobos – uma das mais belas obras do repertório para o instrumento, composta por um dos principais responsáveis pelo violão ter sido introduzido nas salas de concerto.

 

Quarta, dia 8, às 20h30, no Sesc Vila Mariana.

Escrito por paulo fernando às 02h34
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Aeon Comodoro

Acima Aeon Flux, Abaixo MTV



Tudo que é bom na TV e no Rádio dura pouco. Eu andava em estado de êxtase, pois a MTV estava transmitindo episódios diários da animação Aeon Flux (às 23h). Para quem não conhece, a grande criação de Peter Chung é uma das coisas mais legais que existe – desenho maravilhoso, imagens impressionantes, enquadramentos primorosos, roteiros geniais, tudo insanamente imaginativo – uma das grandes jóias da Ficção Científica já produzidas. Aeon (que não está na beira do abismo – é o abismo) é a mulher não real mais linda e interessante já desenhada, mais até do que a Valentina (os fanáticos por Guido Crepax que não me ouçam... epa! Eu sou um fanático por Crepax). Antigamente o desenho passava dentro de um programa chamado Liquid Television – era algo como a clássica revista Heavy Metal em versão audiovisual –, junto com outras coisas interessantíssimas, como o The Maxx.



Dizem que o que é bom dura pouco, mas esse retorno da Aeon Flux durou muito pouco. É lógico que os “cérebros” por trás da programação não podiam deixar a programação tão boa, e já tiraram do ar (substituído por um programa totalmente imbecil: Presepada, com a Daniella Cicarelli, que mesmo sem me interessar pela sua vida, fui obrigado a saber de seu casamento, escândalos, aborto de feto natimorto, separação, fofocas e muito mais, através da CAPA DO JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO. Pois é, não é apenas a MTV que vai mal, o Estadão virou Revista Contigo). Nada diferente do que se pode esperar de uma emissora que produz a “excelente” animação mega liga de vjs paladinos. Como já dizia o meu avô:


Quem o alheio veste,

Na rua o despe. Paulo Fernando de Castro




Sessão Dupla do Comodoro



Na próxima quarta, dia 1, haverá mais uma Sessão Dupla do Comodoro.


Programa:


21.30 - SEXO & ZEN
23.30 - Lançamento do DVD "3 CORTES"

Como sempre, senhas gratuitas serão distribuídas no CINESESC, à partir das 21 horas.

SEXO & ZEN
Sex And Zen [1991 - Hong Kong)
Falado em mandarim, com legendas em inglês
94 minutos
Diretor: Michael Mak
Produtor: Stephen Siu
Música Original: Wing-leung Chan
Fotografia: Peter Ngor
Montagem: Hung Poon
Elenco: Lawrence Ng, Amy Yip, Kent Cheng, Shadow Ip, Isabella Chow, Lo Lieh, Carrie Ng, Tsui Kam-Kong, Yuen King-Tan and Rena Murakami.



3 CORTES
Brasil - 2006
DVD contendo três curtas metragens do chamado "gênero extremo":

SOZINHO - de André ZP
Produção - CROMOSSOMO 3 FILMES

COLEÇÃO DE HUMANOS MORTOS - de Fernando Rick
Produção - BLACK VOMIT FILMES

06 TIROS; 60 ML - de André Kapel Furman
Produção - CINEMA DE TRINCHEIRA



Sinopses e mais informações (valiosas) no Reduto do Comodoro.




Escrito por paulo fernando às 00h21
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Suítes para Violoncelo de Bach

O Sesc apresentará uma programação imperdível, com o pilar do repertório para o instrumento: a integral das Suítes para Violoncelo de Johann Sebastian Bach. Pureza estrutural e invenção. Peças polifônicas em veículo monofônico.

Com o grande Antônio Lauro Del Claro tocando as de número par – em instrumento moderno – e o grego Dimos Goudaroulis as de número ímpar – através de interpretação e instrumento de época, cordas de tripas e tudo.  Primeiro de dois recitais.

 

Domingo, dia 29, às 11h, no Sesc Belenzinho.



Escrito por paulo fernando às 00h14
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Pierrô via Augusto

Leia abaixo dois fragmentos dos 21 que compõem o Pierrô Lunar. Gosto muito destes dois por serem  as únicas vezes que aparece o velho Cassandro, e, em abas situações, o seu crânio calvo é agredido pelo Pierrô – vai saber o porquê.

A tradução é de Augusto de Campos, partindo tanto do original em francês do belga Albert Giraud quanto da tradução alemã de Otto Erich Hartleben – utilizada no Pierrot Lunaire de Arnold Schoenberg (junto com a Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, obra fundamental da primeira metade do século XX). O tradutor acha que ambos, francês e alemão, não apresentam grande interesse como textos poéticos em si – apesar de julgar o original melhor. Ele procurou então construir uma versão brasileira com “soluções que criassem uma tensão vocabular capaz de manter vivo o interesse do próprio texto, e que, ao mesmo tempo, permitissem a sua articulação à musica, reduzindo a um mínimo as adaptações morfológicas exigidas pelas diferenças léxicas, sintáticas e prosódicas com o português.”

A tradução foi feita, portanto, para ser apresentada em concerto (o próprio Schoenberg dizia que a música deveria ser sempre traduzida para a língua de onde fosse apresentada) como foi algumas vezes. “Trabalhei com a partitura, que me dava, com mais precisão, o desenho do ritmo, das durações, das acentuações e das pausas. Busquei, acima de tudo, o texto vocal, ou ‘cantofalável’ [nota minha: uma das inovações da obra é a invenção do cantofalado (Sprechgesang)], se assim posso dizer, tirando partido, sempre que possível, das virtualidades fônicas do portugês. (...)

            “A esperança é que o resultado, mantendo-se, o quanto possível, fiel à estrutura textual adotada por Schoenberg, seja estimulante para a intérprete, para os músicos e para o público.”

Fragmentos abaixo:

Escrito por paulo fernando às 02h38
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Dois Poemas do Pierrô Lunar

16. Atrocidade

 

Na cabeça de Cassandro,

Cujos gritos soam alto,

Faz Pierrô com ares sonsos,

Ágil – um buraco fundo!

 

Depois preme com o dedo

O seu fino fumo turco

Na cabeça de Cassandro,

Cujos gritos soam alto!

 

Um canudo de cachimbo

Mete nesse crânio calvo

E, sorrindo, sopra e puxa

O seu fino fumo turco

Na cabeça de Cassandro!

 

(...)

 

19. Serenata

 

Mil grotescas dissonâncias

Faz Pierrô numa viola.

Sobre um pé, como cegonha,

Ele arranha um pizzicato.

 

Logo vem Cassandro, tonto

Com o estranho virtuose.

Mil grotescas dissonâncias

Faz Pierrô numa viola.

 

Da viola já se cansa.

Com os delicados dedos

Pega o velho pela gola

E viola o crânio calvo

Com grotescas dissonâncias.



Escrito por paulo fernando às 02h37
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Recital de Ney Salgado hoje

Recital de piano que terá como grande atração a última sonata de Beethoven (Op. 111) – com a força e a inteligência da fase derradeira do compositor –, além de peças de Chopin e uma de Santoro.

 

Hoje, às 21h, no Teatro do Mosteiro de São Bento.

Escrito por paulo fernando às 02h46
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